Vida Eterna
16/01/2015 15:12
A busca pela vida eterna não é algo novo para os seres humanos. Desde milênios antes de cristo, imperadores e governantes organizavam expedições em busca de uma fonte mágica de juventude ou algum elixir capaz de tornar o ser humano imortal. E até hoje, este desejo se encontra bastante resplandecente.
É possível comprovar isso olhando apenas para as religiões. A grande maioria delas, para não dizer todas, oferece algo após a morte. Dando a possibilidade de uma vida eterna. Na cultura cristã, por exemplo, se oferece o paraíso, onde aqueles que o merecerem irão viver eternamente.

Mas o que se discute não é nada religioso, mas sim, algo bastante empírico. Alguns pesquisadores, como os da universidade de Harvard, acreditam que ainda neste século os serem humanos deixarão de ter a chamada “expectativa de vida” e passarão a viver indefinidamente.
Embora ainda não tenhamos a tecnologia necessária para sermos de fato imortais, já existem métodos para tentar driblar esta triste fase da vida. A criogenia é uma técnica que preserva completamente todo o corpo do defunto antes que o mesmo inicie a decomposição. Ela funciona congelando o corpo a temperaturas extremamente baixas em nitrogênio líquido. O processo é feito rápido o suficiente para evitar que cristais de gelo se formem no corpo, preservando todas as moléculas de todas as células do corpo. Certo, e então, o que acontece depois? Esse tipo de procedimento é bastante parecido com o utilizado para preservar embriões por exemplo. Quando chega o momento, esses embriões são descongelados e utilizados. O incrível disso é que se pode preserva-los por tempo indeterminado, enquanto eles estiverem a baixas temperaturas, já que assim as moléculas praticamente não se movem.

Mas a criogenia consiste em congelar o corpo por completo e isso dificulta muito o processo de descongelamento. Mas então, o que é preciso para reverter a criogenia? Primeiro, é necessário ter a tecnologia para isso, ainda não é possível fazer o processo inverso sem que haja danos ao organismo. Segundo, o objetivo da criogenia é preservar o corpo para que ele volte à vida apenas quando for possível cura-lo da sua causa de morte. Mas então a criogenia é inútil?
Bem, para início de conversa, já existem 250 pessoas em criogenia no mundo, e muitos já contrataram o serviço para o momento de seu óbito. E não, eles não são loucos. Até porque o “tratamento” ainda é bastante caro. Se eles toparam fazer isso, há um motivo. A questão é: Se você for congelado, você não sabe se vai voltar, porém se você não fizer isso, você terá certeza que nunca irá voltar. Então, pesando na balança, é melhor considerar a possibilidade.
Além da criogenia, temos outro avanço incrível na medicina. Já imaginou se os seres humanos adquirissem a capacidade de regenerar membros perdidos? Bem, existem inúmeros estudos com o genoma humano e com o de espécies que realizam isso. Mas o que realmente tem sido promissor é a utilização da matriz extracelular.
A matriz extracelular compõe o organismo juntamente com as células. O que está sendo posto em prática é a “fabricação” de membros e órgãos com esse material para posteriormente serem colocadas células tronco do próprio paciente. A matriz serve como molde para essas células que irão formar o tecido. Neste caso, além de possibilitar que pessoas com membros amputados os tenham de volta, solucionaria um enorme problema de saúde: a fila de espera por transplantes. Com o aperfeiçoamento dessa tecnologia, é possível fabricar órgãos inteiros, e o melhor, sem problemas de compatibilidade, já que as células que irão compor esse tecido seriam oriundas do próprio paciente.
E quanto à imortalidade propriamente dita? É mesmo possível? A resposta, sem mais delongas, é sim. É perfeitamente possível viver por toda eternidade. Não ainda para os seres humanos, no entanto, uma espécie de água-viva, a Turritopsis nutricula, não morre de causas naturais. São necessários ferimentos graves para que isso ocorra. O que ocorre é que depois que envelhece, ela volta à sua juventude. Suas células realizam transdiferenciação, o que é um algo bastante exótico, esse processo é semelhante ao que ocorre com as células tronco humanas. Certo, mas o que a descoberta disso impacta na longevidade humana? Se considerarmos a evolução dos seres vivos, conclui-se que essa capacidade também pode existir ou ter existido em outras espécies, porém, essa habilidade se perdeu ao longo da evolução. Especula-se que isso também possa existir no genoma humano, porém, em um gene atualmente inativo.
Outras pesquisas, estas já relacionadas a humanos, mostram uma forte relação dos telômeros com o processo de envelhecimento humano. Para quem não sabe, os telômeros são parte dos cromossomos, estão localizados nas extremidades dos mesmos. A função dele é garantir a estabilidade do DNA da célula. Acontece que, a cada divisão que esta célula realiza, seus telômeros encurtam. E quanto mais curto é o telômero, menor é a longevidade da célula, e consequentemente, do indivíduo. O que ocorre é que a enzima responsável pela manutenção dos telômeros, a telomerase, não é sintetizada nas células normais do organismo, enquanto que nas células do câncer essa enzima é intensamente fabricada. Não é a toa que é necessário eliminar todas as células cancerígenas para poder curar a doença, afinal, em teoria, ela nunca pararia de se multiplicar. O que os pesquisadores querem é ativar a produção dessa enzima em células animais saudáveis.

Além dos telômeros, há estudos que apontam que um tipo de polifenol, chamado resveratrol, encontrado em uvas roxas e seus derivados, como por exemplo, no vinho tinto, estimula a síntese de uma enzima, a sirtuína, que está ligada à longevidade das células, e por consequência, à preservação dos tecidos. Quanto mais sirtuína houver no organismo maior sua longevidade. Outros estudos também sugerem que a restrição calórica também aumente a quantidade dessas enzimas nas células, como um estímulo de defesa do corpo. Testes mostraram que ratos propositalmente com níveis mais elevados de sirtuína viveram de 20% a 30% mais que os demais, em peixes isso chegou até 60%. Se considerarmos o menor percentual, isso representaria uma média de 14 anos a mais de vida.

A questão é que os fatores responsáveis pelo envelhecimento são muitos. É devido a isso que não se pode, ainda, viver indefinidamente. Mas também é fato que já descobrimos muito sobre isso, e é bem provável que em 50 anos grande parte desse mistério já tenha sido desvendado.Todavia, considerando todos os avanços atuais, já é possível dizer que viver mais de 100 anos será algo bastante comum. E um pouco mais à frente, se tornar finalmente imortal.
Saimos agora dos avanços para as discussões a respeito dos possíveis efeitos de um grande aumento da longevidade humana, ou até mesmo da imortalização da nossa raça. Os religiosos, em grande parte, condenam isso. Afirmam que a morte é necessária para dar sentido à vida. Em resposta a isso, os defensores desse novo paradigma dizem que se você realmente acredita nisso que morra de uma vez. A velhice possui inúmeras interpretações dentro da sociedade. Alguns a consideram algo normal, afinal todos passam por isso e acabam morrendo (com exceção daquela água-viva anteriormente citada). Outros veem como uma doença que acaba atingindo a todos. Isso acaba gerando muita polêmica. Há também questões sociais e econômicas bastante preocupantes. É inviável sustentar uma raça humana imortal com um único planeta, afinal, a humanidade não pararia de se expandir. Porém, a vida eterna também poderia ser a solução para essa questão. A NASA, como já foi citado no artigo “O futuro da nanotecnologia” deste site, pretende colonizar Marte. Entretanto, os humanos ainda não sobrevivem à viagem. Mas com esses “upgrades” do nosso corpo, talvez nem mesmo Marte seja o limite. A imortalidade também traria inúmeros benefícios a outras áreas de pesquisa. Para entender melhor o que foi dito, imaginem se Einstein fosse imortal. Quantas descobertas ele já haveria feito? As possibilidades são infinitas.
No fim, avaliamos a imortalidade como algo magnífico. Afinal, o objetivo da vida não é a morte, mas sim, a própria vida.

